Descrição
Fruto de uma tese de doutorado em Planejamento Urbano e Regional, este livro pode ser compreendido como uma síntese de uma trajetória científica ainda em construção – e, espera-se, em seu início. Representa, antes de tudo, uma tentativa pessoal de encontrar um campo do conhecimento propício tanto para o exercício intelectual de interpretação do mundo, quanto para a ação política de transformação da realidade. O planejamento urbano e regional, enquanto uma ciência social aplicada, acreditamos, oferece essa possibilidade. Os desafios, contudo, não foram poucos. Com a consolidação da hegemonia do pensamento liberal após o fim da União Soviética e a crise do fordismo no Ocidente, o tema do planejamento perdeu centralidade. Se viu profundamente esvaziado, e, mesmo, desacreditado. As ciências sociais mergulharam em concepções fragmentárias, inebriadas com problematizações estéreis e paralisantes, flertando, ora com o niilismo, ora com o descompromisso com a realidade. Nesse cenário, propor a transformação do mundo passou a soar como pretensão e mesmo um desvio autoritário, tentativa de imposição de alguns sobre os demais. E o que seria o planejamento senão a proposição de um caminho, de um rumo a ser seguido com vistas a atingir um determinado objetivo? Definitivamente, falar de planejamento estava “fora de moda” e não seria uma tarefa fácil. A isso somaram-se as limitações do próprio autor, as quais busquei enfrentar e superar. Formado em Arquitetura e Urbanismo, tendo sido um dos poucos a escolher tal curso pelo interesse na questão urbana e não propriamente na arquitetura em si, logo percebi as insuficiências de tal formação no que tange ao planejamento urbano, “especialidade” que pretendi seguir. Minha intuição percebia uma lacuna ainda por ser preenchida, algo que só descobri à medida que fui construindo minha trajetória na pós-graduação e realizando leituras marxistas por conta própria. Seria impossível aspirar a ser um planejador urbano, ou um cientista social do planejamento urbano, sem dominar minimamente os fundamentos da Economia Política, os processos de produção, circulação e distribuição da riqueza materializada em bens e serviços, e, no caso do capitalismo, nas mercadorias.





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